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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Os Tipos de Discursos

"Discurso"
é um texto 
feito para ser lido 
perante uma audiência.


Principalmente por estarem acostumadas a ouvir discursos políticos, muitas pessoas perguntam o que um discurso tem a ver com uma redação, já que o discurso é a mensagem falada e a redação é a mensagem lida. Na verdade o discurso é uma mensagem proferida por alguém perante uma audiência presencial (uma plateia ou pequeno grupo de pessoas) ou não presencial (através do rádio, da televisão, etc.). Pode ser improvisado (quando o discursante ou orador o profere sem se basear num texto) ou escrito (quando é lido ou cujo texto serve como base para o que é dito pelo orador). A redação não é um texto, é o processo através do qual se escreve um texto. Isto incluiu relatórios, peças de publicidade, notícias, cartas, requerimentos, ofícios, e todos os tipos de textos, cada qual com finalidades específicas. Entre estes constam os que são escritos para se tornarem discursos. O tipo de redação para estes textos é a redação discursiva.
Nas provas como o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), concursos públicos, vestibulares, são exigidas redações discursivas. Isto não significa que as redações dos participantes serão lidas em público. Significa apenas que o objetivo é verificar a capacidade dos participantes produzirem textos qualitativos para se tornarem discursos ou servirem como base para eles. No Brasil, um grande problema quanto a isto é que os professoras de Língua Portuguesa raramente ensinam isto a seus alunos, e estes também raramente aprendem pelo menos as noções básicas de diferenças entre os tipos de discursos. O resultado disto não pode ser outro senão o alto índice de reprovação em redações em todos os tipos de provas. 

O discurso, falado ou escrito, envolve a comunicação dentro de um determinado contexto. Esse contexto diz respeito à pessoa que fala (orador), às pessoas para quem ele fala (audiência ou público) e sobre o que se fala (o assunto ou tema). Nas redações feitas no Enem, sempre é proposto um determinado tema, o que significa que que elas têm que ser sempre redações discursivas. Ou seja, têm que ser discursos. Esses discursos podem ser diretos, indiretos e indiretos livres. O texto é um discurso direto quando expõe a fala de um personagem (real ou fictício) destacando-o com travessões, aspas ou de alguma outra forma, como se as palavras fossem do personagem, não do autor do texto. Exemplos:

- Eu não sabia disto.
- "Eu não sabia disto" - disse o rapaz.

Então ele disse: "eu não sabia disto."
- Por que você não compareceu à aula ontem? - perguntou-lhe o professor.

Num discurso indireto, registra-se a fala do personagem sob a influência do autor do texto. Os tempos verbais são modificados para facilitar o entendimento do leitor em relação à pessoa que fala. É uma transformação do discurso direto para uma outra forma de transmitir a mensagem. Exemplo:

Discurso direto:
- "Eu não sabia disto" - disse o rapaz.
Discurso indireto:
O rapaz disse que ele não sabia disto.


No discurso indireto livre, a narração é interrompida para que se inclua uma fala do personagem sem precisar do uso de recursos gráficos como as aspas, os travessões, etc. Nele as falas dos personagens surgem de forma abrupta, o que requer muita atenção da pessoa que o lê, principalmente quando esta o apresentar em público, pois a forma como a audiência entenderá o que foi lido dependerá da forma como a leitura foi feita. Exemplo:

Pediram ao rapaz que explicasse detalhadamente sobre o ocorrido, mas ele continuava a dizer que não sabia do que se tratava. 

Ou seja: num discurso indireto livre, o autor não usa as palavras do personagem; revela-se interpretação pessoal do que o personagem disse ou de como ele o disse.

Os vários tipos de redação existentes dentro de um mesmo tipo (neste caso, os três tipos de redação discursiva) permitem ao estudante ou ao candidato a um cargo público demonstrar sua capacidade de produzir os textos conforme sua criatividade e, ao mesmo tempo, de maneira adequada a cada tema. Entretanto, os estudantes terão dificuldade para entender isto se os professores não lhes ensinam sobre isto durante as aulas.  Se você é estudante e seu professor não lhe ensina esses detalhes, cobre isto dele. É um direito seu e um dever dele. 
Você também pode treinar em casa. Faça esses tipos de redação usando o computador. Você não poderá fazer isto na prova porque, além de não poder contar com um computador, um dos objetivos da redação será verificar sua capacidade de escrever corretamente, sem corretores automáticos ou outros recursos facilitadores. No entanto, pode fazer isto em casa. Para treinar ainda melhor, escreva sua redação tal como terá que fazer na prova também.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A Importância da Obediência às Regras Gramaticais na Redação

As regras gramaticais
facilitam a comunicabilidade.

Esse assunto já foi exposto por mim em outros artigos no Redafácil, mas quando eu observo certas inconveniências linguísticas cometidas nas redes sociais online, imagino que muita gente, principalmente estudantes, as cometem frequentemente também em redações nas provas. Por isto, para mim, não chega a ser surpreendente o fato de que as piores notas no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) são sempre relacionadas às redações - exatamente o quesito mais importante da prova, já que revela a capacidade ou incapacidade de comunicação do aluno. Quem usa palavras inadequadamente na escrita obviamente comete o mesmo erro quando fala formal ou informalmente. 
Não é necessário ser especialista em linguística nem catedrático(a) em língua portuguesa, mas é preciso ter um bom domínio das necessidades mínimas para o uso de uma linguagem minimamente correta e adequada para cada situação. Nestes termos, quanto maior for o domínio sobre conhecimentos gramaticais, melhor será para a pessoa, não só para obter boas notas nas provas, mas para obter sucesso na vida. Num comentário no Facebook, uma pessoa usou a expressão "pessoa muito errante" para se referir a uma pessoa que, segundo ela, comete muitos erros na vida. "Errante" significa "nômade", "ser humano ou outro tipo de animal (humanos também são animais) que muda constantemente de um local para viver em outro". Numa redação, numa entrevista, num discurso, erros como este podem dificultar o entendimento da mensagem para quem a lê ou ouve. Palavras com significados equivocados modificam o sentido da mensagem.
Isto faz com que as palavras sejam necessariamente usadas de acordo com o contextos e escritas conforme as regras gramaticais para evitar, tanto quanto possível, qualquer margem de erro e de possibilidade de interpretação equivocada por parte do leitor. Lembre-se que numa prova o "leitor" será exatamente a pessoa que analisará a redação. A nota que ele dará dependerá muito da interpretação dele. cabe a quem a escreve a obrigação de evitar todas as possibilidades de interpretação equivocada. Com muita propriedade, um(a) estudante que preferiu não revelar seu nome escreveu num comentário: "Eu acho que é muito importante você ter um conhecimento mais do que razoável e superficial da gramática, e não só no estudo do inglês - idioma que eu estudo. Em qualquer idioma, a gramática nos faz entender a composição e o sentido das palavras e facilita nossa produção e interpretação de textos. As regras de escrita e gramaticais em geral variam muito de um idioma para o outro, mas o estudo da gramática nos ajuda muito a melhorar nossos textos."
O que chamamos "gramática" é o conjunto de regras e prescrições que determinam o uso considerado correto do idioma na fala e na escrita. Esse conceito, por si só, já justifica a importância dessas regras para para a eficácia da comunicação. Neste ponto, é importante lembrar que "eficiência" e "eficácia" são coisas diferentes: "eficiência" é a forma de obter bons resultados e "eficácia" é a capacidade de obter resultados bem melhores. Uma pessoa eficiente é alguém que faz algo muito bem feito, mas uma pessoa eficaz é a pessoa capaz de fazer muito melhor. Se você se preocupa em manter sua obediência às regras gramaticais, suas chances de se tornar cada vez mais eficaz e obter mais sucesso do que os apenas eficientes se tornam maiores.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

"Grande Maioria", "Pequena Maioria", "Grande Minoria" e "Pequena Minoria"


Parecem pleonasmos,
mas não o são.


Não somos obrigados a concordar com o que diz a frase de Charles Bukowski (1920-1994) ou pelo menos cuja autoria é atribuída ao poeta alemão, mas a forma como a expressão "grande maioria" foi inserida é válida como exemplo. A redundância é o excesso de palavras numa mesma expressão. Por exemplo, "subir para cima" é uma redundância porque o verbo subir já indica um movimento para cima. Há, no entanto, redundâncias que são permitidas para dar ênfase à expressão. Por exemplo: "vi com meus próprios olhos". É claro que ninguém pode ver alguma coisa através dos olhos de outra pessoa, mas esse tipo de pleonasmo tem como significado algo como "se eu mesmo não tivesse visto, eu não teria acreditado".
Entretanto, expressões como "grande maioria" e "pequena minoria" não são pleonasmos. Para entendermos isto temos que recorrer à matemática e fazer pequenos cálculos de porcentagem. Suponhamos, por exemplo, um grupo de 300 mil pessoas. Cinquenta por cento (50%) desse total são representados pela metade: 150 mil pessoas. A metade de cada metade representa 25% do total - ou seja, 75 mil pessoas. Portanto, qualquer porcentagem acima de 25% é uma grande maioria. Qualquer porcentagem acima de 50% e abaixo de 75% é uma pequena maioria.
Quanto à minoria (qualquer porcentagem abaixo de 50% do total), ocorre uma grande minoria se a maior da menor parte dos 100% exceder à metade dessa menor parte. Suponhamos um cálculo de 40 por cento (40%) do total. Isto representaria 120 mil pessoas. A metade desta parte representa 20 por cento do total: 60 mil pessoas. Em relação às 300 mil pessoas, qualquer número abaixo de de 60 mil é uma pequena minoria. É claro que um número cada vez menor representa uma minoria cada vez menor. Por tanto, a "menor minoria" e a "maior maioria" também não são redundâncias nem pleonasmos.